O antiambientalismo

Depois de um período de merecidas (sic) férias, voltamos à ativa com essa maravilhosa extensão internética do nosso projeto. E para nos redimirmos pela ausência, vamos polemizar! – apesar do que a Carolina Dieckman disse pra Marie Claire desse mês sobre polemizar (me deem um desconto, eu disse que estava em férias).

Proponho hoje uma reflexão que é sempre pertinente: o olhar pelo outro lado. Aqui nesse blog, seguindo a linha de pensamento (não sei se Gramsci ou outros tantos me permitiriam usar a expressão ‘ideológica’) do nosso programa, temos nos proposto a um objetivo: divulgar questões pertinentes ao meio ambiente e, consequentemente, à qualidade de vida. Então, reciclagens, consumo inteligente (na falta de uma expressão melhor), energias renováveis, aquecimento global são assuntos que muito nos interessam. E nos quais, claro, acreditamos.

Mas, vasculhando esse mundo – pra mim, hostil – da world wide web (Luti, aprendi algo contigo!) encontramos tantas informações conflitantes que colocam tudo o que se acredita, abaixo. É inegável que nossos inimigos têm bons argumentos.

O que quero dizer, em resumo, é que existe sim um movimento antiambientalista apregoando por ai que as ideias verdes que apregoamos por aqui são uma falácia. Dizem que o aquecimento global é uma farsa, que o ambientalismo é uma nova forma de colonização. E provam isso com o quê? Com ciência, óbvio. Uma ciência que serve a certos interesses, mas qual não serve?

E o que eu, uma aspirante à jornalista que se propõe a defender a causa ambiental diz acerca dessas afirmações? Que a verdade não é uma só, talvez. E, se temos direito à incerteza, é preferível que permaneçamos com essa estrutura produtiva que pode não ser nociva ou é mais sensato que transformemos nossos hábitos porque eles podem ser nocivos?

Abaixo, alguns exemplos retirados dessa terra sem lei que é a Internet, que mandam o ambientalismo às favas (pra não dizer outro lugar).

Leia e me diga: você samba de que lado?

1) A primeira parte do documentário The great global warm swindle, ou, A grande farsa do aquecimento global, produzido pela BBC que questiona aquela história de que é o homem quem destrói as geleiras e aumenta a temperatura mundial devido aos seus modos de produção.

2) Livro de Geraldo Lino, Lorenzo Carrasco, Nilder Costa e  Silvia Palacios coloca o ambientalismo como sendo uma nova forma de colonialismo, anti-humanista e contrário ao desenvolvimento.

A extensão que não se estende

PET Comunicação cansado depois de discutir ações de extensão com acadêmicas da UEM.

Novamente, sou eu a encarregada de vir relatar congressos. Mas dessa vez, diferente de quando perdemos a etapa nacional do Expocom, o relato é mais light e menos rancoroso.

De quinta (3/6) a domingo (6/6), nós, integrantes do Ecolândia que também fazemos parte do Programa de Educação Tutorial (PET) Comunicação Social UFSM, estivemos em Porto Alegre, participando do Encontro dos Grupos PET da Região Sul, vulgo SulPET. E uma das discussões que permeou todo o evento pode ser resumida na seguinte problemática: o que é extensão?

Impossível definir um conceito e um modo de fazer, concluímos. Certamente o fazer extensão para as engenharias, para as áreas da saúde e para a a comunicação não é a mesma coisa. Mas se não há uma definição possível e estática, princípios norteadores (adoro eufemismos) são necessários. Senão, vira bagunça.

Dois pontos, acredito, são essenciais de serem tratados aqui: o que é extensão e para quem ela deve servir. Ao contrário do que muitos (podem acreditar, muitos mesmo) acreditam, extensão não consiste em levar conhecimento até às comunidades. Ora levar conhecimento. Como se a academia fosse um reduto especial de inteligência e conhecimento e fizesse a caridade de levar um pouquinho dessa sabedoria para as comunidades se esclarecerem ou fugirem, um pouquinho que seja, do seu estado de ignorância crônica. Ah, quantos pensamentos absurdos pensam esses pensadores. Extensão não é levar, é construir conhecimento junto ao grupo social em que os universitários se inserem.

Em segundo lugar, por mais especificidades que tenha cada área, um aspecto precisa ser comum: a quem o ato se define. Abrir a Universidade esperando que comunidades externas venham até ela não é extensão; fazer uma viagem de estudos não é extensão. Extensão acontece quando um grupo universitário, devidamente embasado por um propósito científico, abraça uma causa e uma comunidade – e é abraçado por ela. Fora dos muros da Universidade.

E são esses princípios norteadors que o Ecolândia se desafia, semana a semana, a seguir.

E, para você, o que é extensão?

Omdusman da Luzia

Luzia é o nome do fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas, com onze mil e quinhentos anos. Numa comparação bastante forçada – mas que tem sua verdade – eu, Gabrielli, sou a Luzia do Ecolândia. Digo forçada porque, obviamente, sou mais bonita (bem mais). Mas, o que importa é que, prestes a completar três anos de programa, hoje estreio na função de ombudsman, tão cara ao Ecolândia, ao jornalismo em geral e a mim em particular.

Por eu ser a mais experiente (viva os eufemismos) me dou o direito de não usar aquela imagem horrível que o Luiz inventou e os demais corroboraram. Antes de começar, também quero destacar a importância desse momento que a gente está vivendo no projeto, em que da equipe de onze, quatro ainda não saíram dos cueiros e duas são semi-novas. Ou seja, momento em que toda a crítica e toda a discussão é bem-vinda, já que o perfil do programa para os próximos anos está sendo moldado agora.

Ok, vamos ao que interessa.

MA: Ri muito ouvindo. A conversação ficou bem fluida, o pessoal falou de sexo numa boa. Parabéns aos produtores que conseguiram tirar esse carater de tabu do assunto. Apenas penso que, nos dois momentos em que se conversou com duas pessoas ao mesmo tempo, ficou difícil de distinguir quem era quem e quem pensava o quê. Penso que devamos conversar sobre um encerramento feito na própria gravação, onde são reiteradas as informações iniciais como a rua, o assunto.

Notícias: Certinhas. Gostei do modo como foi feita a linkagem da notícia sobre a Contribuição de Iluminação Pública (CIP) com o programa da semana passada sobre o mesmo assunto. Porém, todavia, entretanto, a notícia sobre a Feira do Livro era praticamente um tratado, de quase dois minutos. Ai ai ai, Felipe. Outra coisa, pensando no que a Giu falou no primeiro ombudsman a respeito da trilha competir com a narração, acho que aconteceu o mesmo neste programa. Especialmente nas notícias. Tinha momentos, inclusive, que eu me distraía e perdia a informação. Que tal pensarmos espaços estratégicos para uso da trilha e deixarmos as notícias mais secas?

Reportagem: Ai, linda. E a frase final de efeito: “não há vergonha ou preconceito que valha uma vida”. Gostei muito mesmo, contemplou tudo que havíamos discutido. Apenas penso que devamos trabalhar melhor cabeças e pés (não me refiro apenas à reportagem). Tem que haver uma complementação entre estúdio e áudio gravado. O endereço e o telefone da casa Treze de Maio poderiam ser utilizados no pé, por exemplo.

Entrevista: Gostei bastante. A fonte sabia muito do assunto e a edição estava bem cuidadosa, só com os pontos que, de fato, importavam. Uma dica, Mari: fica mais natural se tu fizeres as perguntas com uma construção mais informal. Então, talvez regravar as perguntas em estúdio não seja a melhor opção, mesmo que tu tenhas te perdido ou gaguejado. Até porque, quando tu tiveres que fazer entrevistas ao vivo, esse recurso não vai ser mais possível e já é bom tu ires treinando o improviso.

Perfil: Notei que a Dani se baseou bastante no primeiro perfil pra fazer este, então nem preciso dizer que achei ótimo. Mas como é um quadro que está recém surgindo, podemos (ou talvez devamos) discutir o formato em reunião.

Cidade: Falou mais do lado humano dos pacientes soropositivos do que da história do grupo, propriamente dita. Porém, analisando dentro de um contexto geral do programa, ficou bem complementar, porque foi algo que ficou faltando nos outros materiais (não que os materiais tenham sido falhos, mas nossos enfoques talvez). Parabéns, Marcos.

Bicho: Jesús Martím-Barbero, chamaram o probre papagaio de bagacero? Eu não gosto do bicho. Temos que repensá-lo (não, isso não significa cortá-lo, tá Luiz?)

Apresentação: Alguns errinhos de técnica mais do que normais: vinheta entrando na hora errada, trilha alta demais. A princípio, nada de caótico aconteceu na estréia do William! Mas o programa só teve 50′. Então, por que causa, motivo, razão ou circunstância não houve o diálogo?

That’s all, folks
Bom final de domingo.

O fazer político em um clique

Na semana passada, em meio ao caos que foi a produção do programa, veiculei uma notícia dizendo que ela teria uma extensão aqui no blog e esqueci de fazer tal complemento. Que feio. Mas, já diriam na minha região, antes tarde do que nunca. E lá vamos nós.

Tem um senhor chamado Thomáz Nonô, representante do povo pelo DEM de Alagoas no cargo de Deputado Federal, que criou um projeto de lei bastante interessante. A brilhante ideia sugere uma mudança no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). O trecho que prevê detenção de três meses a um ano e multa para quem praticar ato de abuso ou maus tratos a animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos seria modificado, com a exclusão das palavras domésticos e domesticados.

Daí, já viu. Quem praticar crimes contra animais que se enquadram nessa ampla categoria, sairá impune.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Assim, disponibilizo o link de um abaixo-assinado contra esse projeto de lei, que já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue agora para plenário. É só clicar, colocar os dados pessoais e ter a sensação de não ter ficado com os braços cruzados. Foi-se o tempo da Ágora. Agora, política se faz, também, por meio de códigos binários. Não custa nada. Garanto que é mais fácil que criar uma conta no wordpress.