Domingo é dia de Votar

O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala; nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht

Olá, caros leitores do blog e ouvintes do programa Ecolândia. Na postagem desta semana, vou abordar um assunto que já abordei aqui no blog há mais ou menos um ano. Para quem ouve o programa semanalmente, vai notar que tenho sido incisivo em falar sobre política no Ecolândia nos momentos em que posso.

O próprio programa dedicou-se a isso recentemente, na semana retrasada (programa do dia 17 de setembro). Falamos sobre quais as principais competências e funções dos cargos que estão em disputa nesta eleição, explicando como funciona nosso sistema político de um modo geral. Você pode conferir abaixo a reportagem deste programa. Só clicar no play.


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O fazer político em um clique

Na semana passada, em meio ao caos que foi a produção do programa, veiculei uma notícia dizendo que ela teria uma extensão aqui no blog e esqueci de fazer tal complemento. Que feio. Mas, já diriam na minha região, antes tarde do que nunca. E lá vamos nós.

Tem um senhor chamado Thomáz Nonô, representante do povo pelo DEM de Alagoas no cargo de Deputado Federal, que criou um projeto de lei bastante interessante. A brilhante ideia sugere uma mudança no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). O trecho que prevê detenção de três meses a um ano e multa para quem praticar ato de abuso ou maus tratos a animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos seria modificado, com a exclusão das palavras domésticos e domesticados.

Daí, já viu. Quem praticar crimes contra animais que se enquadram nessa ampla categoria, sairá impune.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Assim, disponibilizo o link de um abaixo-assinado contra esse projeto de lei, que já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue agora para plenário. É só clicar, colocar os dados pessoais e ter a sensação de não ter ficado com os braços cruzados. Foi-se o tempo da Ágora. Agora, política se faz, também, por meio de códigos binários. Não custa nada. Garanto que é mais fácil que criar uma conta no wordpress.

Água e luz juntas? Só se for em Itaipu. E olhe lá.

Me mandaram (já diria a gramática do mulato sabido) fazer um post sobre falta de luz e falta de água no verão. Dupla sacanagem: não sei mexer no blog e não tinha entendido a ideia dessa pauta. Que caco de projeto de jornalista, eu. Tentarei, de qualquer forma. Só depois não diga que não avisei, como diria minha mãe.

Água e luz, pra mim, só fazem sentido juntas quando se fala em hidrelétricas, claro. A usina binacional (porque é nossa e do Paraguai) de Itaipu é a maior de todas em funcionamento no mundo, em relação à capacidade de geração de energia.  É bom, porém, aproveitarmos para nos gabar enquanto podemos, pois já faz alguns anos que os chineses estão desenvolvendo um projeto que quer deixar a Itaipu no chinelo.  Felicidade de país pobre dura pouco.

Uma descarga e a baita Usina de Itaipu vira uma sanga

Na sua estrutura, a Itaipu tem ferro e aço suficientes pra construção de 380 Torres Eiffel; o percurso do Rio Paraná foi desviado com o uso de 50 milhões de toneladas de terra e rocha; a barragem principal equivale, em altura, a um prédio de 65 andares. Fica difícil imaginar que um raiozinho consiga apagar esses números tão admiráveis e deixar no escuro 18 estados brasileiros. Não, eu não vim cobrar explicações. Se nem o ministro sabia, quem somos nós, meros contribuintes, pra querer. Quanta pretensão!

Mas, apesar de trágico, o episódio serve para fazer pensar. Que tipo de plano energético tem um país que fica no escuro com uma mera descarga elétrica? De geração de energia, o máximo que entendo é de ligar interruptores. Mas tenho bom senso pra entender que um cabrum e um flash de luz não podem desencadear uma situação caótica num país que está querendo se achar o grandão.

Talvez seja a hora de repensar alternativas. Não só alternativas à Usina Itaipu, mas à hidroeletricidade. Claro, já é uma vitória não estarmos ainda na era petro-jurássica (pelo menos não para geração de energia elétrica), mas há outras formas de se gerar energia com impactos ambientais menores e com a mesma capacidade. O problema, pra variar, é econômico: precisa-se de planejamento e investimento.

Com as grandes pretensões que a comitiva brasileira vai apresentar em Copenhague (redução de 36% a 39% na emissão de gases poluentes na atmosfera em 10 anos), geração de energia limpa vai ser quase um caminho natural. Ou, então, a reunião vai representar só mais uma lista de objetivos não cumpridos, como aquelas promessas de réveillon que a gente faz e antes da Páscoa já esqueceu. A única diferença é que o meio ambiente precisa ser levado um pouquinho mais a sério.