Dia da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é celebrado hoje  no Brasil, dia 20 de novembro!A data foi escolhida pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares. A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Zumbi morreu em combate, defendendo o seu povo e sua comunidade. Seu corpo foi exibido em praça pública para despertar o medo entre os escravos e impedir novas revoltas e fugas. Mas aconteceu exatamente o contrário, pois isso despertou em muitos a consciências de que era preciso lutar contra a escravidão e as desigualdades, como Zumbi havia feito.

A abolição da escravatura só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão. O Brasil mudou e hoje é uma das maiores economias do mundo. No entanto, os negros continuaram em situação de desigualdade, ocupando as funções menos qualificadas no mercado de trabalho, sem acesso às terras que seus ancestrais haviam ocupo, e na condição de maiores agentes e vítimas da violência nas periferias das grandes cidades.

O Dia da Consciência Negra é uma data para a reflexão e conscientização de todos nós brasileiros, sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Durante o período da escravidão, os negros sofreram inúmeras injustiças, e às custas do seu sofrimento nas senzalas, nos campos e nas cidades, foi erguido tudo o que havia no Brasil daquela época. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. É preciso que todos tenham não apenas a igualdade formal dos direitos, mas a igualdade real das oportunidades também.

Aqui em Santa Maria, acontece desde o dia 12 a 22ª Semana Municipal da Consciência Negra. A Semana é promovida por diversas entidades do Movimento Negro, instituições educacionais, culturais e pela prefeitura do município. São promovidos debates, oficinas e várias atividades culturais em diversos pontos da cidade. Ontem no programa falamos sobre isso, mas vale a pena lembrar que hoje, às 20h, acontece a Noite do Camafeu, no Theatro Treze de Maio. Serão apresentadas danças afro, capoeira, grupo vocal de mulheres negras, teatro e percussões. A classificação é livre e a entrada é gratuita. E amanhã, para encerrar a Semana, haverá um debate na Câmara de Vereadores, às 19h. Vale a pena conferir!

O contêiner de um homem é o seu castelo

Há novos contêineres nas ruas de Santa Maria. Não! Não falo daqueles verdinhos que vieram mais para complicar do que para facilitar. Quem circula pela Avenida Fernando Ferrari ou pela Faixa Nova de Camobi já deve ter percebido a inusitada – pelo menos para mim – arquitetura da franquia Container Concept Store, uma loja de roupas que, como sugere o nome, funciona dentro de um contêiner de navio.

Eis que na mesma época do surgimento dessas lojas aqui na cidade, a revista Superinteressante publica, na editoria Supernovas, um texto sobre uma “vila de contêineres”. Em reportagem da versão em português do site Radio Nederland Wereldomroep (RNW), a mesma autora da reportagem da Super, Caroline D’Essen, fala um pouco mais detalhadamente sobre como é morar dentro de uma caixa de aço.

Um dos principais problemas enfrentados por jovens que vêm estudar em Amsterdã é a questão da acomodação. A cidade tem uma das densidades demográficas mais altas do mundo. São 393 habitantes por quilômetro quadrado. Isso pode virar uma grande dor de cabeça para o estudante que vem morar por um período na cidade.

Consciente dessa realidade, a empresa Holandesa Tempo Housing teve a idéia de transformar contêineres de navio em dormitórios. O que podia parecer uma idéia estranha, acabou dando certo. Depois de passar por uma reforma na China, os contêineres chegam em Amsterdã prontos para serem usados, agora já como dormitórios de aproximadamente 25 metros quadrados, com cozinha e banheiro privativos.

Ainda por aqueles dias, a Prefeitura de Santa Maria anunciou que moradores de áreas de risco da cidade seriam transferidos para moradias provisórias semelhantes até a construção de um novo loteamento. Processo parecido foi idealizado para as vítimas de desastres naturais em algumas partes do mundo.

Nada se cria, tudo se copia

Navegando poucos minutos na internet, descobri que essa novidade de lojas e apartamentos em contêineres reutilizados pode parecer novidade para nós, mas já vem sendo utilizado há algum tempo em outros vários lugares, principalmente da Europa e da Ásia como alternativas de moradia barata e como uma nova proposta de conceito arquitetônico, inclusive por lojas de grifes mundialmente famosas.

Talvez eu seja facilmente impressionável, mas fiquei surpreso com algumas ideias, como as instalações que ‘se abrem’ e criam ambientes modernos e confortáveis, e as achei, a primeira vista, bastante positivas.

Não sei até que ponto é ecologicamente melhor construir apartamentos ou lojas nesses compartimentos, visto que o metal esquenta e esfria rapidamente e eu não tenho conhecimento do sistema de isolamento térmico utilizado ou dos sistemas de calefação e resfriamento desses ‘modernosos’ recintos, mas parece que a preocupação com a natureza está presente. Neste blog de arquitetura soube que, além de ajudar as vítimas de desastres naturais, “as casas feitas a partir dessas caixas navais contam ainda com painéis solares e aparatos para captação de água de chuva, fazendo delas uma opção residencial mais ecológica”.

Parece que essa moda está pegando. Das residências mais baratas às lojas móveis, temos uma revolução na arquitetura e nas barraquinhas de cachorro-quente.

MAIS:

Veja algumas lojas-contêiner em:
http://estrategiaempresarial.wordpress.com/2009/02/05/loja-container/

Visita ao apartamento-contêiner em Amserdã

Cultura a la carte

Pegando carona no tema do programa Ecolândia dessa semana – Treze: o palco da Cultura – nada melhor do que mostrar um grupo de teatro da nossa cidade que está se destacando nas ruas da capital de São Paulo. Os integrantes do grupo são graduados em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Santa Maria e partiram para São Paulo para tentar ascender na carreira artística.

Após algumas apresentações em bares na madrugada paulista – o grupo que precisava de alguma renda para as despesas domésticas e  para se manter na cidade – teve uma idéia que aliaria o útil ao agradável: montar um cardápio com cenas de teatro que seriam vendidas aos passantes de uma das principais vias de São Paulo, como uma forma de conseguir se sustentar e também de levar a cultura e o entretenimento do teatro para o cotidiano das pessoas comuns.

Basta passar pela Avenida Paulista, mais precisamente em frente do Parque Trianon, para ver que a idéia deu certo. Em uma placa segurada por um dos cinco atores do grupo diz: “Vende-se cenas”.  E é assim que, com rostos pintados e figurino de teatro, os atores chegam até o público na rua. Ao parar para olhar a placa, a pessoa é abordada pelos integrantes do grupo que explicam: “você paga a partir de R$ 2,00 e pode assistir a uma cena agora”.

Quando alguém compra uma das cenas, os atores se organizam e a calçada vira um palco de teatro. Ali, não só quem comprou a cena assiste a apresentação, mas também dezenas de passantes param para olhar. No final muitos colaboram com alguma quantia para o grupo, o que lhes dá uma renda para que possam continuar vivendo na cidade.

A iniciativa dos atores, que saíram do interior do Rio Grande do Sul e foram para São Paulo, é uma forma de divulgar o trabalho por eles feito. No repertório apresentado pelo grupo, estão 20 cenas de 12 peças teatrais diferentes, dentre elas estão adaptações de Clarice Lispector, Luis Fernando Veríssimo e Plínio Marcos.

Do sucesso alcançado nas ruas de São Paulo, os integrantes do grupo Lara de Bittencourt, Marco Antonio Barreto e Graciane Borges Pires fundaram a Cia de Teatro Santa Víscera, que já participou de programas televisivos na TV Cultura e também na TV Globo.

O vídeo abaixo, do Programa do Jô, mostra um pouco mais do trabalho do grupo:

A arborização urbana no interior do Brasil

As ruas da maior parte das cidades do Brasil é caracterizada pela ausência de árvores. Poucos municípios se destacam desse contexto, como é o caso de Porto Alegre e Recife, cuja paisagem caracteriza-se pela presença de árvores antigas, que não foram retiradas durante o processo de urbanização.

Mas no interior do Brasil a realidade é outra. Em cidades como Santa Maria e São Pedro do Sul, na região central do Rio Grande do Sul, a incipiente presença de árvores nas calçadas depende de políticas públicas e da iniciativa não-governamental, uma vez que o crescimento da população urbana não poupou o desmatamento quase completo da mata original nas regiões de concentração.

A mestre em Geomática pela UFSM, cuja dissertação trata da arborização urbana relacionada à qualidade de vida, Mara Sarturi afirma que uma das principais condicionantes para a pouca arborização urbana no Brasil é o fato de que as árvores são as últimas a chegar nos ambientes, depois do calçamento, das construções e do asfaltamento. Isso ocasiona que o espaço a elas destinado seja pequeno e de má qualidade.

Thomas Edson, técnico da Secretaria de Município de Proteção Ambiental de Santa Maria, explica que outros fatores característicos do ambiente urbano são considerados insalubres para as árvores, como a iluminação pública e o vandalismo da população.

Entretanto, já existe uma nova mentalidade dominante nos governos e na comunidade pela importância dada aos benefícios provenientes da arborização. Estudos comprovam que a presença de árvores nas ruas proporciona a diminuição de até 6ºC na temperatura atmosférica localizada. Além disso, o bem estar visual e a atração de pássaros e outras espécies da fauna que vivem em função das árvores aumentam a qualidade de vida da população. A árvore também faz com que a infiltração da água no solo aumente, o que faz com que os lençóis freáticos sejam abastecidos, o que é impedido pela impermeabilização do solo, generalizada nas cidades.

Para contornar esses desafios, toda a sociedade deve envolver-se no trabalho. O Poder Público municipal de muitas cidades foi recrutado pelo Programa de Aceleração do Crescimento para investir em arborização urbana como contrapartida aos investimentos do PAC, como ocorre em Santa Maria. O terceiro setor também pode colaborar, como relata Mara … sobre o contexto de São Pedro do Sul. E a comunidade em geral pode participar desse movimento colaborando com as iniciativas estatais evitando a depredação das árvores, cuidando das mudas recém plantadas e solicitando o plantio em frente às suas casas.

As prefeituras municipais, através das secretarias de proteção ambiental estão à disposição da população oferecendo mudas e assistência técnica. É importante esse auxílio especializado uma vez que nem toda árvore se adapta facilmente ao ambiente urbano. Os técnicos são capazes de indicar a espécie e as correções necessárias de serem feitas no local de plantio. Para entrar em contato com a Secretaria de Município de Proteção Ambiental de Santa Maria, acesse:

http://www.santamaria.rs.gov.br/index.php?secao=ambiental

Para acessar a dissertação de mestrado em Geomática de Mara Sarturi, clique em: http://cascavel.cpd.ufsm.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1088