Um desabafo kolinskiniano …

Não tendo mais interlocutores, uma vez que todos já se cansaram de minhas lamúrias, venho utilizar o blog do Ecolândia como uma forma de protesto. E também como uma forma de rir um pouco de uma situação que, embora possa parecer engraçada, na hora foi muito desconfortável.

Em função do final de semana e do feriado de segunda-feira (Dia de Finados) resolvi arrumar a mala e picar a mula, rumo à Santiago, a Terra dos Poetas. O lar, lugar abençoado, que tem comida, família. Uma televisão maior e um confortável sofá. Além disso, Santiago, sinceramente, não é tão quente como Santa Maria, que tem feito um calor absurdo nesses últimos dias…

Por tudo isso, fui para Santiago, na última sexta-feira ao meio dia e retornei na segunda-feira, às 15 horas. Fiz essas duas viagens de ônibus pela Expresso São Pedro, empresa de transporte que é a responsável pelo trajeto entre essas duas cidades. O tempo desse percurso pode variar. Essa variação está ligada a muitos fatores, como o número de paradas e a qualidade (ou falta de qualidade) do ônibus.

Na viagem de ida, peguei um ônibus muito bom, com ar condicionado, que parou em São Pedro, São Vicente e Jaguari e que chegou em Santiago depois de 2 horas e 50 minutos, tempo que poderia ser menor, mas que é aceitável.

Mas o problema começou na viagem de volta. Antes de tudo sugiro que você, leitor fiel de nosso blog, lembre do calor que foi a última segunda …Lembrou? Ótimo. Agora imagine a situação a seguir: Eu vou para a rodoviária de Santiago, com todo aquele calor, e me deparo com um veículo cuja pretensão era levar, cerca de 40 pessoas em segurança – digo segurança porque conforto, certamente, não deve ter sido uma de suas pretensões – para Santa Maria. Não havia televisão. Não havia água no banheiro. Não havia ar condicionado. Havia, no entanto, um calor que não dava trégua, apesar das janelas abertas, e muitas pessoas descontentes com a desproporcionalidade entre o valor pago e o serviço prestado.

  Mas a viagem continuou …e continuou por 50 minutos, momento em que, antes de chegarmos em Jaguari, o ônibus começou a fazer barulhos estranhos, a gerar um cheiro esquisito e, logo em seguida, a lançar sinais de fumaça …

o veículo, pós-problemas técnicos.

Foto: Felipe Viero, cansado, suado e com um celular.

Então nós paramos, como todo aquele calor, na beira de uma estrada, pela qual passavam muitos carros, com uma, ou duas pessoas em seu interior, e ninguém parava para oferecer ajuda ou qualquer outro consolo. Claro que essas pessoas não tinham nenhuma obrigação, elas não estavam ligadas ao fato do ônibus ter estragado e de nós termos ficado 55 minutos, no meio do nada, esperando um outro veículo, mas acredito, sinceramente, que a preocupação com as outras pessoas e a intenção de ajudar o próximo transcendem aquilo que é uma obrigação. Piegas? Utópico? Bem, talvez eu seja, sim, piegas e utópico.

Um ônibus chegou ao local antes da passagem desses 55 minutos. Um ônibus menor, que também não possuía ar condicionado e que, vejam só, tinha um plus: além de ter menos lugares, também não tinha banheiro!

Mas esse ônibus não saiu do lugar. Aliás, não sei nem porque ele foi até ali, uma vez que não fez nada (embora fosse da mesma empresa e estivesse apenas com o motorista). Alguns disseram que, ao estacionar, ele também havia quebrado. Considerando que o seu estado era precário, eu não ficaria surpreso.

De qualquer modo, chegou outro ônibus, igualzinho ao primeiro, e seguimos viagem, chegando em Santa Maria às 18 horas e 30 minutos, com quase uma hora de atraso. Algumas pessoas estavam furiosas pois teriam que pegar outro ônibus às 19 horas e não sabiam ao certo se conseguiriam. Elas conseguiram. Mesmo assim, o caos que foi esse percurso e a ausência de certas condições de conforto (em um dia tão quente como aquele) perturbaram a todos os passageiros.

Ao chegar em Santa Maria, descubro que ali fazia mais calor do que no interior do ônibus. Abençoada foi a chuva de terça-feira, que garantiu uma trégua relativa do calor (que já está voltando) e deve ter sido útil para outras pessoas que, talvez, tenham voltado a viajar no mesmo ônibus que nós.