Água e luz juntas? Só se for em Itaipu. E olhe lá.

Me mandaram (já diria a gramática do mulato sabido) fazer um post sobre falta de luz e falta de água no verão. Dupla sacanagem: não sei mexer no blog e não tinha entendido a ideia dessa pauta. Que caco de projeto de jornalista, eu. Tentarei, de qualquer forma. Só depois não diga que não avisei, como diria minha mãe.

Água e luz, pra mim, só fazem sentido juntas quando se fala em hidrelétricas, claro. A usina binacional (porque é nossa e do Paraguai) de Itaipu é a maior de todas em funcionamento no mundo, em relação à capacidade de geração de energia.  É bom, porém, aproveitarmos para nos gabar enquanto podemos, pois já faz alguns anos que os chineses estão desenvolvendo um projeto que quer deixar a Itaipu no chinelo.  Felicidade de país pobre dura pouco.

Uma descarga e a baita Usina de Itaipu vira uma sanga

Na sua estrutura, a Itaipu tem ferro e aço suficientes pra construção de 380 Torres Eiffel; o percurso do Rio Paraná foi desviado com o uso de 50 milhões de toneladas de terra e rocha; a barragem principal equivale, em altura, a um prédio de 65 andares. Fica difícil imaginar que um raiozinho consiga apagar esses números tão admiráveis e deixar no escuro 18 estados brasileiros. Não, eu não vim cobrar explicações. Se nem o ministro sabia, quem somos nós, meros contribuintes, pra querer. Quanta pretensão!

Mas, apesar de trágico, o episódio serve para fazer pensar. Que tipo de plano energético tem um país que fica no escuro com uma mera descarga elétrica? De geração de energia, o máximo que entendo é de ligar interruptores. Mas tenho bom senso pra entender que um cabrum e um flash de luz não podem desencadear uma situação caótica num país que está querendo se achar o grandão.

Talvez seja a hora de repensar alternativas. Não só alternativas à Usina Itaipu, mas à hidroeletricidade. Claro, já é uma vitória não estarmos ainda na era petro-jurássica (pelo menos não para geração de energia elétrica), mas há outras formas de se gerar energia com impactos ambientais menores e com a mesma capacidade. O problema, pra variar, é econômico: precisa-se de planejamento e investimento.

Com as grandes pretensões que a comitiva brasileira vai apresentar em Copenhague (redução de 36% a 39% na emissão de gases poluentes na atmosfera em 10 anos), geração de energia limpa vai ser quase um caminho natural. Ou, então, a reunião vai representar só mais uma lista de objetivos não cumpridos, como aquelas promessas de réveillon que a gente faz e antes da Páscoa já esqueceu. A única diferença é que o meio ambiente precisa ser levado um pouquinho mais a sério.