O contêiner de um homem é o seu castelo

Há novos contêineres nas ruas de Santa Maria. Não! Não falo daqueles verdinhos que vieram mais para complicar do que para facilitar. Quem circula pela Avenida Fernando Ferrari ou pela Faixa Nova de Camobi já deve ter percebido a inusitada – pelo menos para mim – arquitetura da franquia Container Concept Store, uma loja de roupas que, como sugere o nome, funciona dentro de um contêiner de navio.

Eis que na mesma época do surgimento dessas lojas aqui na cidade, a revista Superinteressante publica, na editoria Supernovas, um texto sobre uma “vila de contêineres”. Em reportagem da versão em português do site Radio Nederland Wereldomroep (RNW), a mesma autora da reportagem da Super, Caroline D’Essen, fala um pouco mais detalhadamente sobre como é morar dentro de uma caixa de aço.

Um dos principais problemas enfrentados por jovens que vêm estudar em Amsterdã é a questão da acomodação. A cidade tem uma das densidades demográficas mais altas do mundo. São 393 habitantes por quilômetro quadrado. Isso pode virar uma grande dor de cabeça para o estudante que vem morar por um período na cidade.

Consciente dessa realidade, a empresa Holandesa Tempo Housing teve a idéia de transformar contêineres de navio em dormitórios. O que podia parecer uma idéia estranha, acabou dando certo. Depois de passar por uma reforma na China, os contêineres chegam em Amsterdã prontos para serem usados, agora já como dormitórios de aproximadamente 25 metros quadrados, com cozinha e banheiro privativos.

Ainda por aqueles dias, a Prefeitura de Santa Maria anunciou que moradores de áreas de risco da cidade seriam transferidos para moradias provisórias semelhantes até a construção de um novo loteamento. Processo parecido foi idealizado para as vítimas de desastres naturais em algumas partes do mundo.

Nada se cria, tudo se copia

Navegando poucos minutos na internet, descobri que essa novidade de lojas e apartamentos em contêineres reutilizados pode parecer novidade para nós, mas já vem sendo utilizado há algum tempo em outros vários lugares, principalmente da Europa e da Ásia como alternativas de moradia barata e como uma nova proposta de conceito arquitetônico, inclusive por lojas de grifes mundialmente famosas.

Talvez eu seja facilmente impressionável, mas fiquei surpreso com algumas ideias, como as instalações que ‘se abrem’ e criam ambientes modernos e confortáveis, e as achei, a primeira vista, bastante positivas.

Não sei até que ponto é ecologicamente melhor construir apartamentos ou lojas nesses compartimentos, visto que o metal esquenta e esfria rapidamente e eu não tenho conhecimento do sistema de isolamento térmico utilizado ou dos sistemas de calefação e resfriamento desses ‘modernosos’ recintos, mas parece que a preocupação com a natureza está presente. Neste blog de arquitetura soube que, além de ajudar as vítimas de desastres naturais, “as casas feitas a partir dessas caixas navais contam ainda com painéis solares e aparatos para captação de água de chuva, fazendo delas uma opção residencial mais ecológica”.

Parece que essa moda está pegando. Das residências mais baratas às lojas móveis, temos uma revolução na arquitetura e nas barraquinhas de cachorro-quente.

MAIS:

Veja algumas lojas-contêiner em:
http://estrategiaempresarial.wordpress.com/2009/02/05/loja-container/

Visita ao apartamento-contêiner em Amserdã