A verdade da biópsia

A semana passou, devagar, mas passou… Assim que o resultado saiu, corremos ao médico (eu, minha mãe e minha irmã). No caminho do patologista ao meu médico mastologista, li o diagnóstico: carcinoma ductal in situ. Eu já sabia que era isto, já tinha lido tudo. Não chorei, minha mãe chorou por mim. Esperei a conversa com o médico. Ele já disse tudo o que estava acontecendo, o que ia acontecer e o que poderia acontecer. O que estava acontecendo era que eu tinha uma forma inicial de câncer de mama, que estava dentro dos meus ductos, o que ia acontecer era que eu teria que realizar uma mastectomia radical da mama direita já na semana seguinte, e o que podia acontecer era o câncer ter se tornado invasivo, ou seja, saído dos ductos e passado para os linfonodos nas axilas, que já seria um pouco mais agressivo, pois teria que fazer quimioterapia além da radioterapia.

(Amanda P. A. Almeida)


Em um dia como outro qualquer se revela uma descoberta. Uma doença, um mal, algo está errado. Como uma forte tempestade que nos pega desprevenidos e nos obriga a encontrar um lugar seguro, onde possamos recostar nossa cabeça e dormir em paz.  Assim pode-se dizer que é a descoberta de um câncer, um início de desespero ou luta, tendo como ponto de partida a própria força, seja ela grande ou miúda.

Há inúmeros casos, porém é comum que pessoas nesse estado percebam certa urgência na vida, e comecem a viver num estado de pessimismo defensivo. Viver um dia após o outro, dando valor a cada segundo vivido, pois a consciência da morte eminente está presente, mesmo que ela seja algo distante. A mera possibilidade de que isso ocorra, de uma hora pra outra, nos faz notar que não é possível adiar a vida.

Variando de pessoa a pessoa, as reações são múltiplas. Há quem lute contra a doença e se agarre a vida com unhas e dentes, mantendo o pensamento de que não se pode ser infeliz, não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. A doença apenas a renovação do documento de certeza da morte que todos nós temos. O caso é que há pessoas que  necessitam de uma guinada a mais na auto estima e motivação, pois tende a ver a vida com olhos mais desesperados, tendendo a desistir, e se entregar. O modo de enfrentar a doença e o cuidado necessário varia de acordo com a singularidade de cada caso.

O apoio de familiares, amigos e entes queridos é de extrema importância em momentos como esse, para que o indivíduo se recupere, pois este necessita obter informações e apoio contínuo  para que seja possível enfrentar as situações estressantes, de modo que possam não apenas ser curada, mas também aproveita a vida que possui, mesmo que a cura seja difícil.

Alguém que descobre um câncer necessita rever ativamente suas metas e propósitos de vida, e tudo que inclui esta problemática, colaborando assim com sua recuperação.

Meu irmão, a gente tem que descobrir maneiras
— sejam quais forem — de ficarmos fortes.

(Caio Fernando de Abreu)

Como exemplos de superação, seguem abaixo blogs e sites onde percebemos a luta e superação dessa barreira:

Diário Câncer de Mama

Estou com Câncer, e daí?

Rafael Payao

Contribuição de Sâmara Pereira Palazuelos,

escritora e acadêmica do curso de Psicologia da UFMT.