Técnico do INPE fala sobre aumento nos focos de queimadas no país.

As áreas do mapa em marrom claro e escuro representam, respectivamente, risco alto e crítico de incidência de queimadas. Fonte: INPE

Nesta semana o Ecolândia falará sobre a questão das queimadas no país. Em função da estiagem aliada ao clima seco, vários estados das regiões centro-oeste e sudeste do país já decretaram estado de emergência com relação ao aumento elevado no número de focos de queimadas.

Em conversa com o especialista em monitoramento de queimadas do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Raffi Agop, tomamos conhecimento do aumento em mais de 200 % dos focos de queimada no país com relação a 2009. Raffi explica que existem duas causas principais para o surgimento de queimadas: aquelas ocasionadas por causas artificiais e aquelas desencadeadas por causas naturais. São consideradas naturais as queimadas que tem início por queda de raios ou combustão espontânea, bastante comuns em países como o Canadá. Já as queimadas artificiais são geralmente ocasionadas pelo homem de forma criminosa, esse segundo caso é o mais comum em nosso país.

A cultura da queimada é utilizada no interior do Brasil com o propósito de expandir áreas agrícolas ou de pecuária. Apesar de essa prática já estar bastante em desuso no país, a falta de fiscalização e a fluidez do código florestal têm contribuído para que agricultores, no ímpeto de ocupar suas terras com produção e não correr o risco da desapropriação, acabem recorrendo a esta prática.

Raffi Agop reitera que o homem é um dos principais agentes desencadeadores das condições de seca que o país vive hoje. O desmatamento contribui para bloquear as massas de ar frio que vêm do sul, impedindo-as de atingir os locais que sofrem hoje com a estiagem. As  queimadas artificiais, por sua vez,  aumentam a liberação de gás carbônico na atmosfera o que acaba por deixar o clima ainda mais abafado.