Domingo é dia de Votar

O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala; nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht

Olá, caros leitores do blog e ouvintes do programa Ecolândia. Na postagem desta semana, vou abordar um assunto que já abordei aqui no blog há mais ou menos um ano. Para quem ouve o programa semanalmente, vai notar que tenho sido incisivo em falar sobre política no Ecolândia nos momentos em que posso.

O próprio programa dedicou-se a isso recentemente, na semana retrasada (programa do dia 17 de setembro). Falamos sobre quais as principais competências e funções dos cargos que estão em disputa nesta eleição, explicando como funciona nosso sistema político de um modo geral. Você pode conferir abaixo a reportagem deste programa. Só clicar no play.

Esta postagem aqui tem o mesmo papel das abordagens anteriores: falar da importância das eleições e do ato de votar. Um fato bastante marcante deste ano de 2010 – e destas eleições, portanto – foi a mobilização em torno de uma lei que impedisse a candidatura de pessoas com condenações de segundo grau (quando um colegiado de juízes condena alguém que já passou por julgamento por apenas um juiz na primeira instância). É a famosa Lei da Ficha Limpa, que neste exato instante está passando por julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Juridicamente, ainda pode ser uma incógnita o que vai ocorrer com esta lei.

De qualquer modo, o que mais importa é o movimento que está por trás dela: um movimento por eleições mais qualificadas. Quer dizer, uma pessoa que possua diversas condenações por uma série de crimes deveria, em tese, já ser barrada pelo voto dos eleitores. Nisso reside a força mais relevante da ideia de ficha limpa: o voto é que tem o poder soberano de discriminar quem merece nos representar e quem não merece.

Por isso, humildemente, coloco aqui algumas informações para ajudar o eleitor. Elas são fruto dessa mobilização para tentar “escanear” a vida pregressa dos candidatos e identificar aqueles que estão comprometidos com uma vida pública ilibada e aqueles que estão empenhados numa vida política corrupta.

Uma destas iniciativas é o site Ficha Limpa (clique na imagem). Nele você pode pesquisar que candidatos registraram-se no site indicando que têm a ficha limpa. A notícia ruim é que muito poucos estão cadastrados.

Já o site Congresso em Foco (imagem abaixo) tem atualizado diariamente a lista dos candidatos que foram barrados pela Justiça Eleitoral por causa da Lei Ficha Limpa. Mesmo que a lei venha a ser desconsiderada para esta eleição (o que pode ocorrer), o fato é que ela já nos trouxe duas vitórias claras: primeiro, pelo entendimento dos ministros do STF, a lei é constitucional, então valerá para as próximas eleições (em 2012); segundo, mesmo que ela não valha para este pleito, nós podemos simplesmente não votar nos candidatos que foram barrados por ela até o momento. Ou seja, a lei já nos ajudou mostrando que candidatos têm condenações na justiça brasileira.

Bem, além de tudo, vale a pena conferir os dados oficiais do seu candidato no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao longo do processo eleitoral – e depois dele também -, o candidato tem que informar ao TSE todos os gastos de campanha e respectivas comprovações. Depois que a Justiça Eleitoral avalia tudo, coloca no site também. É mais uma forma de fiscalizar seu candidato.

É isso. Dia 03 de outubro, portanto, vamos todos às urnas. Não esqueça do seu título de eleitor e de algum documento oficial com foto, preferencialmente a identidade (RG). Abraços.