Proibir é a solução?

Tramita na Câmara dos Deputados, em caráter de urgência, o projeto de lei nº 121/99, criado em 1999, de autoria de Cunha Bueno, então deputado. O projeto determina a proibição da reprodução e importação de cães das raças Rottweiler e Pit bull, puros ou mestiços. Os animais nascidos antes da aprovação da lei seriam preservados, no entanto, deveriam ser castrados, passar por exames periódicos a cada três meses e só poderiam circular pelas ruas com o uso de focinheira.

Caso o projeto vire lei, outra determinação é de que os municípios criem um registro destes animais, que deverá ser renovado anualmente. Os tutores deverão encaminhar os dados dos seus cães para este censo, sob pena de terem seus animais apreendidos e sacrificados. Quem descumprir as normas estará sujeito a pena de prisão de um a seis meses.

O deputado Gonzaga Patriota (PSB – PE), favorável à aprovação do projeto,  afirma que a medida preveniria ataques de cães das raças Rottweiler e Pit bull a pessoas. Segundo ele, a proposta segue os modelos de países como Inglaterra e França.

É frequente lermos notícias que divulgam que crianças foram gravemente feridas – ou até mesmo mortas – em decorrência de mordidas de cachorros agressivos. É normal que, diante de situações como essas, a população fique temerosa em relação a esses animais, mas será que eliminar as duas raças no país é a saída? Especialistas afirmam que eles só se envolvem em ataques polêmicos por sua força e tamanho e que não há nada relacionado ao seu temperamento.  O que provocaria esse comportamento, por vezes agressivo, seriam os erros cometidos na criação desses cães. É por isso que, antes de comprar um cachorro, seja ele qual for, é preciso analisarmos se ele se encaixa ao nosso estilo de vida, se há um lugar adequado para ele, tempo para lhe dar atenção… Cachorros de grande porte como Rottweilers e Pit bulls precisam de espaço, fazer exercícios regularmente e, assim como qualquer outro, necessitam estar em contato com animais e pessoas, socializar, gastar energia. Pensar nessas questões, fazer um planejamento, tudo isso é fundamental e faz a diferença.