A Pintura Gaúcha

Saindo um pouco da linha meio ambiente, mas não fugindo da qualidade de vida, afinal, cultura faz parte da saúde da mente, vamos falar um pouco sobre ARTE.

Não fugiremos do tema mais falado dessa semana, a Semana Farroupilha. Juntaremos Rio Grande do Sul com a arte. Os maiores pintores gaúchos.

A Arte é uma forma de expressar o que cada um sente no íntimo. Ela traduz as experiências de vida, além de ser um veículo de informação.
Em cada trabalho artístico é percebido certa tendência, um estilo de época marcado por fatos que atingem a sensibilidade do artista. O artista coloca suas emoções na obra.

As primeiras manifestações de arte no nosso estado foram no início do século XIX, com decoração de templos religiosos e alguns edifícios públicos ou palacetes das elites. A pintura, como arte independente, só foi aparecer no final do século como linha acadêmica em algumas cidades como Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande. O primeiro grande nome dessa arte foi Pedro Weingartner.

Nos anos 20, o modernismo foi penetrado na cultura e entrou em choque com o modelo acadêmico e setores culturais conservadores. Essa disputa foi longa e na década de 1950 os modernos saíram vitoriosos.

Quando a produção começou se firmar e ganhar um caráter mais original, a pintura do sul e do resto do mundo entrou em crise. Essa arte perdeu tanto prestígio na hierarquia das artes que se chegou a dizer que ela estaria morta.

Porém, a pintura voltou ao estado nos anos 80, trazendo consigo tendências internacionais. Eram pinturas exuberantes que revisitavam o passado criticamente e se globalizavam com uma linguagem atual.

Mas, apesar de todas essas tendências, sempre houve pintores sensíveis ao regionalismo que abordavam o imaginário em torno da figura mítica do gaúcho e de cenários históricos e lendários do sul.

Veja alguns dos pintores e suas obras:

Pedro Weingartner (1853 – 1929) : primeiro grande pintor gaúcho, natural de Porto Alegre, se formou na Europa e intercalava a estadia entre Porto Alegre e Roma. Até 1920 não tinha nenhum concorrente à altura e teve uma carreira brilhante. Seus temas eram variados, passando pelo mítico, por paisagens riograndenses e cenas regionalistas, onde deixou suas maiores contribuições.

João Fahrion (1898-1970) : Natural de Porto Alegre, ganhou reconhecimento pelas pinturas que lhe eram encomendadas, como retratos, por exemplo. Sua produção mais pessoal na pintura são as cenas de bastidores de teatro e de circo, e os auto-retratos, onde a influência do Expressionismo e da Nova Objetividade alemã se faz mais clara. É um dos primeiros artistas locais a quebrar a hegemonia das paisagens do campo.

Leopoldo Gotuzzo (1887-1983):  Natural de Pelotas, estudou em Porto Alegre e viveu boa parte da vida na Europa. O auge de sua carreira foi entre 1923 e 1930. Alinha-se entre os pintores gaúchos que obtiveram maior reconhecimento ao nível da nação. Entre os temas que elegeu, destaca-se a figura humana, e o nu feminino em particular; as paisagens apresentando uma pincelada mais solta; as naturezas mortas e as flores.

Carlos Scliar (1920-2001): Natural de Santa Maria, gravurista por opção, apaixonou-se pela serigrafia, em cuja técnica desenvolveu várias séries. Aliás, uma das importantes características de Carlos Scliar era a sua capacidade de inovar, buscando novos materiais que lhe servissem de base e técnicas das mais variadas, desde têmpera até o acrílico, passando pelas artes gráficas. Pintou quadros, mas também fez murais e várias ilustrações.

Glauco Rodrigues(1929-2004): Começou a pintar em 1945. Em 1980, pinta o quadro A Primeira Missa no Brasil, quadro oferecido pelo governo brasileiro ao Papa João Paulo II. Em 1985, realiza aquarelas de paisagens gaúchas para a abertura e vinhetas da minissérie O TEMPO E O VENTO, de Érico Veríssimo, para a TV Globo.

Artistas contemporâneos e atuais continuam praticando a arte da pintura, porém com algumas mudanças em relação aos velhos tempos: eles deixaram um pouco de lado esse culto ao tradicionalismo, ao, folclore, às paisagem e ao mítico.